Com aumento de confrontos em protestos, prefeito de Cali declara estado de emergência

Distúrbios deixaram pelo menos 32 mortos na cidade, mas de acordo com a prefeitura, apenas sete são relacionados às marchas; governo colombiano pede diálogo com ‘todos os setores’.

O prefeito de Cali, epicentro dos protestos que tomaram a Colômbia há mais de uma semana e deixaram ao amenos 24 mortos, 846 feridos  e 89 desaparecidos, declarou estado de emergência na cidade por três meses, prazo que pode ser prorrogado. Segundo o decreto do prefeito Jorge Iván Ospina, a medida foi tomada para “satisfazer as necessidades da população e fortalecer as ações que visam a proteção dos moradores de Cali”.

A violência dos protestos contra o governo colombiano estourou na cidade de 2,2 milhões de habitantes, uma das mais pobres do país, chamada de “capital do pós-conflito” onde o acordo de paz assinado com a ex-guerrilha das Farc, em 2016, não trouxe a calma esperada. Desde o início das manifestações contra a proposta de reforma tributária, apresentada pelo presidente Iván Duque — já retirada da pauta no congresso —, a cidade registrou vários distúrbios, que foram duramente reprimidos pelas forças públicas.

— Há fortes boatos nos últimos dias de que a medida seja o primeiro passo para que o governo decrete estado de comoção interior [estado de sítio] no país, o que daria muito poder a Duque e levaria a uma situação perigosa —  explica Oscar Hemberth, historiador e jornalista colombiano. — Com isso, a polícia passaria a ter poder total contra os manifestantes.

Os distúrbios deixaram pelo menos 32 mortos na cidade, mas, de acordo com a prefeitura, apenas sete são relacionados às marchas. Kevin Agudelo, de 22 anos, foi uma das vítimas. Ele participou, na segunda-feira, de um ato em Siloé, uma favela da cidade. Sua mãe lembra que ele prometeu não chegar perto dos “tumultos”. Foi a última vez que ela o viu vivo.

— Ele me disse que iria marchar pelo bem-estar da Colômbia — diz Angela Jiménez, entre soluços à AFP.

De acordo com 12 depoimentos coletados pela AFP, a tropa de choque e as forças especiais atacaram o protesto pacífico. Agudelo foi morto junto com duas pessoas, todas baleadas, segundo comprovam fotos e vídeos publicados nas redes sociais.

Fonte: O globo

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