O prédio onde funcionava a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa está desativado há mais de 4 anos, em Manaus, e segue fechado desde então. Na época em que o prédio deixou de sediar a unidade prisional, ele foi entregue para a Secretaria de Estado de Cultura (SEC), e deveria ser transformado em um centro cultural, projeto que ainda não foi realizado.
Segundo eles, o local havia se tornado abrigo para moradores de rua e alvo de pessoas que começaram a roubar estruturas de ferro do prédio, como uma parte das grades da frente da Cadeia Pública.
“Eles estavam roubando tudo aqui. Está tudo revirado e depenado aí dentro. Agora ficam quatro, em cada turno. Se não tivessem colocado a empresa aqui, já tinham levado todo o resto dessa grade aqui”, disse um segurança que preferiu não se identificar.
Após a última desativação do prédio, em 2017, ele foi entregue para a SEC, que informou que o espaço seria restaurado para abrigar o Centro de Cultura Popular.
O secretário da SEC na ocasião, Denilson Novo, informou que já existiam plantas e um modelo arquitetônico para o Centro. Apesar do anúncio, o prédio nunca foi revitalizado para receber o Centro de Cultura.
Artistas seriam beneficiados com centro
O artista plástico Jandr Reis afirma que a cidade e a classe artística merecem a construção de um Centro Cultural para exposição de suas obras.
“Falta interesse político nesse caso. O prédio é muito bonito, por sinal, ao lado de um outro monumento, que é aquela ponte de ferro. Seria mais um atrativo naquela área urbana. Aquela área acabaria virando um circuito cultural, junto com a praça Jeferson Peres”, disse Reis.
Para o artista, o local poderia se tornar inclusive um “Museu Contemporâneo do Amazonas”, onde os artistas locais poderiam apresentar suas obras, devido ao grande espaço que o prédio onde a Cadeia Pública funcionava tem.
“Eu, principalmente, que trabalho com obras de grandes formatos. Seria um prato cheio e o prédio, por si, já é muito bonito. Só agregaria valores e ficaria muito harmonioso um circuito cultural naquela área. A ponte, a cadeia como Centro Cultural, a praça Jefferson Peres. Aquela área toda se agregaria em um circuito cultural para o estado”, afirmou o artista.
Cadeia Pública ao longo dos anos
Inicialmente com o nome de Casa de Detenção de Manaus, a Cadeia Pública teve sua construção iniciada em 1904 e concluída em 1906, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
O prédio foi construído em estilo colonial, com uma área de 15 mil metros quadrados. A inauguração aconteceu em 19 de março de 1907.
Em 14 de junho de 1988, foi determinado o tombamento do prédio como Monumento Histórico do Estado do Amazonas.
Ao longo dos mais de 100 anos de história, o prédio onde o presídio funcionava passou por cinco denominações, antes de ser oficializada como Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, em 1999.
Durante sua existência, a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa foi palco para fuga de detentos e até rebeliões e mortes. Por duas vezes, o prédio foi desativado por falta de estrutura para abrigar os presidiários.
A primeira desativação da Cadeia Pública aconteceu em 2016, por recomendação do Conselho Nacional de Justiça, devido a falta de estrutura. No ano seguinte, o local voltou a receber presos após um massacre de detentos ocorrido em outras unidades prisionais.
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Batalhão de Choque na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, antes de desativação em 2017. — Foto: Adneison Severiano/G1 AM
Na ocasião, 284 presos transferidos de presídios do Amazonas para a cadeia pública, que já estava desativada, por “medidas de segurança”. A intenção do governo era de isolar os membros de duas facções criminosas para evitar novos ataques.
A medida não teve efeito e, no dia 8 de janeiro de 2017, quatro detentos foram mortos, seis tiveram ferimentos leves e outros dois fugiram durante uma rebelião na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa.
O prédio continuou a abrigar detentos até maio daquele ano, quando 162 presos que estavam na unidade foram transferidos para o Centro de Detenção Provisório 2. Nos meses seguintes, o prédio passou a ser abrigo para moradores de rua e usuários de drogas.
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Lixo está acumulado nos corredores da antiga unidade prisional — Foto: Orlando Júnior/Rede Amazônia