“É com o Bolsa Família que eu compro comida para dentro de casa. Esse valor ajuda minha família em um momento em que precisamos sustentar duas filhas e meu marido está desempregado”. O relato é de Cíntia Carvalho da Costa, de 33 anos, que com o auxílio que recebe do programa Bolsa Família consegue complementar a renda em casa.
Com o anúncio da Medida Provisória 1.061, que cria o Auxílio Brasil, o programa de transferência de renda será revogado após 18 anos de existência.
Cíntia, que faz parte dos 14,8 milhões de brasileiros que integram o programa, agora está preocupada com novas formas de prover a renda.
“Eu recebo o Bolsa Família há cerca de cinco anos e uso o dinheiro para sustentar minhas filhas. O dinheiro que recebo me ajuda nas compras de rancho, o alimento do dia a dia. E com toda essa situação eu fico triste, fico apreensiva, porque o Bolsa Família é pouco, mas ajuda a comprar a comida para dentro de casa”, afirma Cíntia.
Através do programa, as filhas de Cíntia, de 9 e 11 anos, recebem, ao todo, R$ 253. “Esse valor vai fazer uma diferença na nossa conta, ainda não sabemos como vamos complementar”, diz.
Oficialmente, o Bolsa Família só termina na próxima semana, quando a lei que criou o programa será revogada. O programa ainda pode voltar, caso o Congresso altere a Medida Provisória ou a deixe caducar, mas até agora não há previsão.
Segundo o Governo Federal, o Auxílio Brasil será pago a partir do dia 17 de novembro. A proposta do programa é que o valor mínimo seja R$ 400, a serem pagos até dezembro de 2022. No entanto, segundo novo anúncio do governo, a parcela a ser paga em novembro terá apenas um reajuste de 20%, sob os valores que vinham sendo pagos até este mês.
Sobre o Bolsa Família
Criado em 2003, o programa surgiu da unificação de uma série de benefícios já existentes na época. No início, o valor pago era de R$ 50 por família em extrema pobreza, com um acréscimo de até R$ 45, dependendo da composição da família.
De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado em 2019, o programa retirou R$ 3,4 milhões de pessoas da pobreza extrema e outras R$ 3,2 milhões da pobreza em 2017.
O Bolsa Família também respondeu pela redução de 10% da desigualdade no país, no período de 2001 a 2015.