Enquanto percorre o Amazonas em busca de apoio para uma candidatura a deputado estadual, o ex-prefeito de Urucurituba, José Claudenor Pontes, o “Sabugo”, enfrenta o peso de um histórico marcado por denúncias, ações judiciais e questionamentos sobre sua gestão.
A pré-campanha de Sabugo reacende um debate inevitável: que credibilidade um político pode pedir ao eleitor quando sua trajetória administrativa é alvo de sucessivos questionamentos pelos órgãos de controle?
Em março de 2024, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) ingressou com uma ação de improbidade administrativa contra o então prefeito. A ação aponta supostas irregularidades em contratos de aluguel de imóveis realizados sem licitação e com indícios de superfaturamento. O MP também pediu o bloqueio de até R$ 1 milhão em bens do gestor para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos. À época, a Prefeitura foi procurada para se manifestar.
Além disso, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) emitiu alerta ao município por extrapolar o limite legal de gastos com pessoal, situação que também levantou preocupações sobre a responsabilidade fiscal da administração.
Os problemas não ficaram restritos ao período em que exercia o mandato. Em 2025, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no repasse de contribuições previdenciárias descontadas dos servidores municipais durante sua gestão, referente ao período de 2020 a 2022. O ex-prefeito foi procurado pelo veículo que divulgou a informação, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Diante desse cenário, a população tem o direito de fazer perguntas que qualquer candidato deveria responder durante uma campanha:
- Como convencer o eleitor de que merece um novo mandato diante desse histórico?
- Quais explicações apresenta para as ações e investigações que envolvem sua gestão?
- Que garantias oferece de que situações semelhantes não voltarão a ocorrer?
Em uma democracia, cabe ao eleitor analisar não apenas os discursos de campanha, mas também o histórico administrativo daqueles que pretendem ocupar um cargo público. A confiança da população é construída com transparência, prestação de contas e respeito ao dinheiro público — valores que inevitavelmente entram em discussão quando um candidato carrega um histórico de investigações e ações judiciais, ainda que muitas delas estejam em andamento e aguardem decisão definitiva da Justiça.