Rachaduras na BR 319 fazem a alegria das empreiteiras

As rachaduras na BR 319 têm feito a alegria das empreiteiras e alimentado campanhas de políticos inescrupulosos ao longo de 40 anos. Aparecem como vulvas,  expostas a desejos incontroláveis.  Desejos de preenchê-las  e  vê-las abertas meses depois, em meio a contratos e mais contratos de manutenção, como se fosse possível  recuperar himens rompidos pela dupla violência praticada. Primeiro, contra  cidadãos que sonham com o fim do isolamento do Estado do Amazonas. Segundo,  contra os cofres públicos, à medida que os reparos se revelam ineficazes.

Atribuir apenas a  questões ambientais a demora na recuperação da rodovia é de um cinismo sem tamanho.   

O problema é a corrupção, que não para. É  o péssimo material utilizado pelas empresas contratadas ou subcontratadas para asfaltar áreas já liberadas.

Nem se fala na terra do meio – área de mais de 500 quilômetros sob forte proteção ambiental, aliás necessária, mas seria de toda forma intocável pela incompetência das empreiteiras sequer de tornar seguro e duradouro o  asfaltamento de áreas já liberadas.

De janeiro deste ano até ontem, trechos já asfaltados da rodovia romperam pelo menos 15 vezes, interrompendo o tráfego de veículos , o que indica que o serviço é mal feito, mal planejado, mal executado.

Mas esse é um negócio milionário – o de emendar e remendar asfalto na rodovia – e só se mantém porque:  1 – interesses de grandes corporaçoes não podem ser contrariados. 2 – incutiu-se  na população que é possível manter vivo o sonho de unir o Estado do Amazonas ao Brasil pela BR 319. Não é possível, não sem  permanentes interrupções, em prejuízo de famílias, de empresas  e do País.

A BR 319 não é uma rodovia, é uma festa. Ganham as empreiteiras, ganham burocratas contratados para projetos de impacto ambiental – somente com estes últimos  foram consumidos mais de R$ 100 milhões em 2020;  ganham os políticos com promessas que nunca serão cumpridas, e perde a sociedade.

Não chegou a  hora de parar?  De DIZER    basta a essa ilusão ? E pensar racionalmente em uma nova alternativa de integração do Estado ao resto do País?


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