A morte bárbara de Ariane Bárbara Laureano de Oliveira, de 18 anos, ocorrida no dia 24 de agosto deste ano em Goiânia (GO), continua gerando revolta e perplexidade pela frieza e dissimulação dos acusados: Raíssa Nunes Borges, de 19 anos, Enzo Jacomini Carneiro Matos, que se apresenta como Freya, de 18, e Jeferson Cavalcante Rodrigues, 22. O delegado encarregado do caso, Marcos Gomes, destacou as postagens feitas pelos três nas redes sociais após o crime, em matéria publicada no portal Metrópoles.
Ariane foi atraída pelo trio e morta a facadas e por enforcamento, como forma de testar, segundo os próprios acusados, se Raíssa era psicopata e como se comportaria após cometer um assassinato. O corpo da jovem foi jogado em uma área de mata, no Setor Jaó, e encontrado em avançado estado de decomposição sete dias após o seu desaparecimento.
Em uma das publicações feitas por Jeferson, ele declara: “Não resisto ao charme de distúrbios e problemas psicoemocionais” (Reprodução Facebook)
“Eles continuaram tranquilos, postando nas redes sociais todos os dias, como se nada tivesse acontecido“, disse o delegado. Em uma das publicações feitas por Jeferson, ele declara: “Não resisto ao charme de distúrbios e problemas psicoemocionais”. Algumas horas depois de terem matado Ariane, os três foram lanchar em um shopping da cidade, com as roupas ainda sujas de sangue.
Uma adolescente, apontada como envolvida na trama que resultou na morte de Ariane, chegou a enviar uma mensagem para a cabeleireira Eliane Laureano, de 35 anos, mãe da vítima, solidarizando-se por sua perda: “Meus mais sinceros pêsames. Eu amo sua filha. Ela não merecia isso”, escreveu, sete dias após o crime. Algumas horas depois, ainda no mesmo dia, Enzo (Freya) também mandou mensagem para Eliane. “Oi, desculpe incomodar a senhora, Eliane.
Como você está?”, quis saber.
Imagem feita pela polícia no quarto de Raissa Nunes (Polícia Civil de Goiás)
A mãe de Ariane encontrou Freya, um dia após o desaparecimento da filha, em uma pista de skate no Setor Coimbra, onde os amigos costumavam se encontrar. Desesperada e sem notícias da filha, ela decidiu ir até o local para conversar com conhecidos e espalhar cartazes com a foto de Ariane.
Ariane e a mãe tinham uma relação muito próxima e marcada por afeto (Reprodução redes sociais)
“Vi o Enzo (Freya) lá, que é a menina trans. Cheguei até ela na quarta e perguntei sobre a Ariane. Fiz cartazes e já desconfiava que algo de ruim pudesse ter acontecido. Ela respondeu ‘não sei’, e saiu de perto de mim, na maior frieza. Como eu estava atordoada, não prestei muita atenção”, relatou Eliane. “Ela me viu lá, me viu colocando os cartazes, e não disse nada. O pessoal do IML me ligou por volta das 9h do dia 31 e, horas depois, ela me mandou mensagens expressando os sentimentos”, lembrou a cabeleireira com indignação.
Apesar da defesa dos três alegar que eles apresentam transtornos de personalidade, somente um laudo médico vai poder comprovar se, de fato, eles sofrem de algum transtorno que possa tê-los movido a cometer o crime.