A Fundação Rede Amazônica e o Instituto Soka realizaram nesta quarta-feira (20) o VI Seminário Águas da Amazônia. O encontro faz parte da 18ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que tem como tema a ‘A transversalidade da ciência, tecnologia e inovações para o planeta’, e debateu os impactos da expansão urbana em igarapés de Manaus.
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Sávio Ferreira, abriu o encontro falando sobre um trabalho de pesquisa de análise dos igarapés da capital, como o da Bolívia. A tese ganhou destaque internacional.
“O bairro Cidade de Deus tem um afluente que adentra a Reserva Adolfo Duck e leva muito material para lá, com as chuvas. Esse curso d´água se encontra com o igarapé da Bolívia e de lá o da Bolívia já sai poluído e contaminado”, destacou.
Ele também disse que Manaus tem potencial para produzir água mineral para outros estados, mas que isso ainda não é explorado pela indústria local.
“Nos nossos supermercados encontramos água mineral de vários locais, inclusive da Europa, como a água francesa. Mas vocês já encontraram água nossa daqui em outros estados? Não. Precisamos olhar um pouco mais para o nosso potencial”.
Quem também participou do encontro foi o CEO da empresa Águas de Manaus, Thiago Terada. Ele falou sobre os desafios da expansão urbana da cidade sobre áreas que comprometem o desenvolvimento ecológico.
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Encontro acontece de forma virtual e presencial. — Foto: Reprodução/Youtube
“Manaus tem uma expansão urbana basicamente baseada em invasões e ocupações irregulares. Então não tem infraestrutura necessária e planejada para que você possa ter ali 5, 10, 15 mil famílias. Às vezes são condições precárias, que não tem acesso a água, energia, tratamento de esgoto, mas vai ter que consumir isso de outra maneira, já que são necessárias”.
A diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Marcya Lira, ressaltou o trabalho desenvolvido através do projeto Consciência Limpa. Segundo ela, as ações visam criar uma consciência ambiental na população, principalmente daqueles que moram em áreas próximas aos igarapés.
“O Consciência Limpa é um projeto que tem 17 anos e é muito interessante que nesse tempo de ação, cerca de 15 anos desse período foi dedicado a trabalhar no entorno dos igarapés com a perspectiva de criar essa consciência ambiental”.
Durante o evento também será lançado o aplicativo “Tree Earth”, uma iniciativa do Instituto SOKA em parceria com a empresa EVS Academy e a Fundação Rede Amazônica para controle e monitoramento de plantios de mudas no estado do Amazonas.